Atlas da Violência aponta aumento de 88% em homicídios ocultos no Brasil em 2024
Levantamento revela que Brasil pode ter mais de 7 mil mortes violentas não registradas oficialmente como homicídios em 2024, indicando falhas na classificação das causas.
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Redação Rota Digital
Publicado em
30 de maio de 2026 às 06:00
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Equipe Editorial Rota Digital
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O Brasil registrou em 2024 a menor taxa de homicídios dos últimos 11 anos, mas um dado preocupante divulgado pelo Atlas da Violência 2026 revela que o número de homicídios ocultos quase dobrou em relação ao ano anterior. Segundo o levantamento, o país pode ter registrado 7.083 mortes violentas a mais do que indicam as estatísticas oficiais.
O Atlas da Violência é elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo destaca que os homicídios ocultos são casos em que a causa da morte não foi esclarecida, ficando registrados como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Isso ocorre quando não é possível determinar se a morte foi homicídio, suicídio ou acidente.
Essas mortes são registradas no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, com base nas declarações de óbito feitas por médicos legistas. No entanto, muitas vezes a análise do corpo não é suficiente para esclarecer a causa da morte, e a falta de integração entre as autoridades policiais e médicas dificulta a conclusão dos casos.
Para estimar os homicídios ocultos, pesquisadores do Ipea utilizam um modelo estatístico que aplica técnicas de inteligência artificial. O método analisa características das vítimas, como sexo, idade, escolaridade, cor, além das circunstâncias da morte, como local, hora, dia da semana e tipo de arma utilizada, para calcular a probabilidade de que uma morte indeterminada seja, na verdade, um homicídio.
Esse aumento expressivo nos homicídios ocultos levanta dúvidas sobre a qualidade dos registros oficiais e sugere que parte da redução observada nos índices de homicídios pode estar relacionada a falhas na classificação das mortes violentas. Isso impacta diretamente a formulação de políticas públicas e a percepção da segurança no país.
O problema dos homicídios ocultos não é recente e, segundo especialistas, a correção dessas classificações pode levar mais de uma década, como mostram experiências internacionais. A demora em identificar corretamente a causa das mortes dificulta o combate à violência e a responsabilização dos autores.
Diante desse cenário, é fundamental fortalecer a integração entre os órgãos de segurança pública e saúde, aprimorar os processos de investigação e garantir maior transparência nos dados. Somente com informações precisas será possível traçar estratégias eficazes para a prevenção da violência no Brasil.
Além disso, o acompanhamento contínuo dos homicídios ocultos é essencial para entender as dinâmicas da violência e evitar que a subnotificação comprometa a análise dos indicadores criminais. O Atlas da Violência 2026 reforça a necessidade de investimentos em tecnologia e capacitação para melhorar a qualidade dos registros e a segurança da população.
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Fonte consultada: InfoMoney
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CRÉDITO (IMAGEM DA CAPA): Rovena Rosa/Agência Brasil
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